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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA SAÚDE

Artigo da autoria de: Bernardo Teixeira 1, Adalberto Campos Fernandes 2, Francisco Cercas 1, Generosa do Nascimento 3

1 ISCTE-IUL – Departamento de Ciências e Tecnologias da Informação (DCTI)

2 ENSP-NOVA – Departamento de Estratégias em Saúde

3  ISCTE-IUL – Departamento de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional (IBS)

  1. Introdução

A Inteligência Artificial (IA) está a evoluir aceleradamente e a modificar o rumo das diversas áreas estruturais da sociedade como é o caso da saúde na prevenção e precisão do diagnóstico, na complementaridade de técnicas através de processamento automatizado e outros exemplos que contribuem para a melhoria de qualidade, sustentabilidade e eficiência destes serviços e cuidados. Toma ainda expressão em áreas como os processos agrícolas e comerciais com a oferta de métodos e ferramentas mais eficientes e exploração de novos processos, na promoção de soluções atenuantes face às alterações climáticas, em melhorias substanciais nos processos de produção com base em manutenção preditiva, contribuindo para o sistema de segurança e combate à criminalidade entre outros exemplos (European Commission, 2020). Desta forma, a IA pode ser entendida como uma potência tecnológica disruptiva e disciplinarmente transversal, reforçando a intensificação da produtividade, sustentabilidade e a eficiência dos processos e serviços (Brynjolfsson et al., 2019; OECD, 2019; Lui et al. 2022), contribuindo como ferramenta e resposta às necessidades emergentes no contexto de cada área. 

As Tecnologias de Informação (TI) são parte da revolução industrial da humanidade. As interpretações mecânicas dos processos permitem associações de padrões, necessariamente reconhecíveis e interpretáveis pelo ser humano. Porém, nem todas as associações possíveis, suficientes ou necessárias, são evidentemente reconhecíveis ou até interpretáveis, tornando ineficaz reduzir operacionalmente um processo à visão mecanicista.  As tarefas manuais e rotineiras são o exemplo claro do apoio possível ao ser humano dada a elevada previsibilidade das mesmas. Assim, esta sinergia reposiciona-o perante o potencial acrescido em estruturas de conhecimento como tradução de valor acrescentado. Desta forma, o ser humano é orientado à participação do desenvolvimento face ao suporte ou manutenção de processos cíclicos. Neste raciocínio, a interpretação global de um processo ou serviço força uma análise em domínios que não são necessariamente interpretáveis, ou até, que o custo de interpretação torne inviável a concretização desse objetivo. Esta reconfiguração organizacional permite que o objetivo não se torna refém do método.

A IA surge, na sociedade, de forma necessariamente colaborativa e hierárquica com o ser humano, potenciando domínios e reduzindo esforços, permitindo encontrar sistemas, processos e funcionalidade capazes de responder a necessidades em domínios concretos, transformando a visão tradicionalista da interpretação da realidade como método, compreensão e forma. O custo-benefício, na perspetiva aplicacional, é um motor de investimento na IA, uma vez que reduz necessariamente o esforço de execução, potenciando a deslocação das tarefas do executante à adequação da transformação em valor que só o ser humano é capaz enquanto participante no processo de adesão, configuração e decisão.  

É necessário um enquadramento na Era das TI, da explosão do conhecimento tecnológico e do poder computacional, revelando-se o tempo favorável à introdução e evolução da IA, maturidade de sistemas automaticamente responsivos e a sensibilização na adoção dos mesmos, bem como o investimento nas diversas instituições e áreas da sociedade, em particular, na saúde. Desta forma, há uma extensão da inteligência, ou seja, do conhecimento adquirido e do formato de adaptação ao meio em mudança, em contínua aprendizagem e consequente resposta. O tempo e custo são variáveis necessárias, surgindo como benefício nesta vertente de investimento à adequação tecnológica. Os métodos tradicionais tornam-se incapazes de responder aos desafios do presente, dando destaque à inteligência artificial como tecnologia promissora (Zeng e Long, 2022; Neapolitan e Jiang, 2018).

A evolução científica deve ser entendida como a herança de uma história que inclui a evolução do conhecimento, da visão e da técnica em ambientes diversos desde os sistemas cibernéticos, bélicos, económicos e tantos outros, apoiados nos princípios das disciplinas fundamentais (lógica, matemática e filosofia) como estruturas de conexão da arquitetura do conhecimento, apoiado nas faculdades cognitivas e a capacidade de abstração como fundamentos de aprendizagem, processamento e resposta, incluindo a possibilidade de formular, manipular e interpretar situações com a consequente formulação de hipóteses, avaliação, formulação de juízos e capacidade de decisão (Dick, 2019; Kline, 2010), mas também como responsabilidade na medida que é uma área em evolução que inclui benefícios e riscos éticos e de desenvolvimentos baseado em boas práticas e em segurança. Este desenvolvimento torna-se possível com a garantia de infraestrutura tecnológica.

A aplicação da IA é promissora na saúde, já com exemplos concretos demonstrados na partilha científica e resultados obtidos que sublinham a presença positiva face a desafios identificados, dado o potencial técnico de processamento e resposta necessários, impactando com expressão um sistema estrutural da sociedade, a saúde.

Leia o artigo completo em: https://issuu.com/spgs-pt/docs/rpgs032

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