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COMUNICADO DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE GESTÃO DE SAÚDE SOBRE A COVID

Face ao agravamento visível da situação pandémica no país e tendo em devida conta o momento atual com a variante delta com prevalência de 60% na região de Lisboa e Vale do Tejo e 20% no Norte, a Direção da Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde alerta os portugueses para o seguinte:

1. Face às notícias que têm vindo a público pondo em causa a eficácia da vacinação e a ideia de que a pandemia está praticamente dominada, é essencial reafirmar que todas as vacinas funcionam muito bem, com efeitos adversos graves raríssimos sendo a única arma completamente eficaz para combater definitivamente o vírus e reafirmar também que a pandemia está longe de ser dominada de modo a podermos respirar confiança. Avisámos disto mesmo no início de janeiro e voltamos a avisar novamente os portugueses. Assim TODOS DEVEM SER VACINADOS O MAIS RAPIDAMENTE POSSÍVEL

2. Apelamos à Task Force que abra de imediato a possibilidade a todos os portugueses se poderem inscrever para vacinação tendo em devida conta que os escalões etários mais baixos são os que apresentam maiores possibilidades de contágio e os que terão maior relutância a serem vacinados;

3. Os dados reais demonstram que no Reino Unido, onde a taxa de vacinação já é muito avançada, a variante delta tem maior capacidade de produzir doença que as variantes anteriores, é muito mais transmissível e as vacinas continuam a proteger de doença grave embora sejam progressivamente menos eficazes ao longo do tempo. Por isso É URGENTE QUE SE AGILIZE MUITO MAIS A VACINAÇÃO.

4. O controlo dos AEROPORTOS deve ser muito mais rígido por estarmos perante variantes mais complexas como era de esperar neste tipo de vírus. Devemos testar todos que venham de países com índices relativamente elevados e instaurar quarentenas rigorosas para quem for positivo.

5. O controlo da área metropolitana de Lisboa deve ser mais restrito e prolongado para se tentar evitar ao máximo a disseminação do vírus. Não se pode agir com complacência nesta fase do percurso pois estamos em cima do Verão e podemos estar a colocar em causa o TURISMO, mesmo interno, com as medidas quase irrisórias que poucos resultados irão trazer por serem extremamente suaves e sem um contexto agressivo. Também poderemos estar neste momento a voltar a colocar em causa a reposição da normalidade no Serviço Nacional de Saúde para os doentes NÃO COVID.

6. A política de testagem tem sido sempre o principal calcanhar de Aquiles da nossa atuação nesta pandemia pelo que apelamos a uma política de testes inteligente especialmente na Região de Lisboa e Vale do Tejo. O isolamento consequente de casos deve ser rigoroso para que não recuemos na economia e na saúde.

7. Devemos colocar em prática o certificado digital que deverá permitir a circulação interna no país pois que a disseminação da variante delta para norte e todo o país será relativamente rápida.

8. É essencial modificar por antecipação o quadro do governo que assume a evolução da pandemia, de acordo com sugestões extremamente relevantes da Ordem dos Médicos e mesmo do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo da Doença (ECDPC), para que o governo não venha a ser obrigado a modificar o quadro numa tentativa à posteriori de demonstrar que a “coisa” não estará assim tão má. Temos de ser todos PROATIVOS PORQUE JÁ MUITO SABEMOS DA DOENÇA E NÃO HÁ DESCULPAS SE HOUVER UM RETROCESSO NESTE MOMENTO.

9. Por fim vamos planear atempadamente a vacinação dos menores de 18 anos de acordo com as informações de outros países e da Organização Mundial de Saúde.

Assina, Miguel Sousa Neves,

Médico, Mestre em Gestão de Serviços de Saúde e Presidente da Direção da Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde

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