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Era uma vez a vacina…

Vamos esperar com calma, mas muito atentos, porque conhecemos o país que somos nas suas forças e fraquezas.

Artigo da autoria do Presidente da Direção SPGS partilhado em:

https://www.publico.pt/2021/02/08/opiniao/opiniao/-vacina-1949667

É extremamente importante fazer pressão a montante para que haja mais vacinas disponíveis no mercado e criar a logística adequada para uma vacinação em massa, pois teremos que imunizar rapidamente a população para conseguirmos alguma imunidade de grupo e evitar os potenciais problemas das inúmeras estirpes do SARS-CoV-2.

Não nos podemos também esquecer que atingiremos quase um milhão de pessoas já infetadas com o vírus e que terão algum grau de imunidade cujos estudo têm uma previsão que vai de seis a 18 meses. No entanto, essas pessoas terão que entrar no contexto da vacinação pelo menos na 2.ª metade de 2021, a não ser que estudos de controlo venham confirmar evidência ainda pouco robusta de um grau de imunidade aceitável até 18 meses ou até mais longa após o contacto.

Para fazer face a tudo isto, temos que considerar a introdução de novas vacinas como a Sputnik russa, que tem demonstrado uma alta fiabilidade nos ensaios clínicos e prepararmo-nos para a da Bayer (Curevac), assim como “obrigar” os donos da AstraZeneca a cumprirem as suas obrigações contratuais, embora muita da culpa caia nos corredores longos e burocráticos da União Europeia e da própria Agência Europeia dos Medicamentos, que deveriam estar a pensar que as “emergências” se tratam com soluções de emergência como tem acontecido nos Estados Unidos da América e Reino Unido. Mesmo as também menosprezadas vacinas chinesas (duas) devem ser tidas em devida conta.

No caso da vacina desenvolvida pela AstraZeneca, a grande vantagem, para além do preço, é a possibilidade de ser conservada entre 2 e 8ºC durante um tempo alargado, permitindo uma logística mais amplificada e melhor planeada. A polémica sobre a vacinação dos idosos com esta vacina deriva do facto de estudos de larga escala, como o COV002 e o COV003, no Reino Unido e Brasil, terem incidido especialmente no escalão etário entre os 18 e 55 anos, com apenas 10-13% dos ensaios clínicos abrangendo pessoas com mais de 56 anos de idade. De qualquer modo, e embora ainda se tenham números relativamente pequenos, a boa notícia é que até agora a eficácia da vacina tem sido igual nas pessoas com mais de 70 anos quando comparada com pessoas mais novas. Uma outra novidade passível de um efeito excelente é a demonstração de que doses mais baixas da vacina parecem obter o mesmo efeito que os ensaios previamente efetuados, o que permitirá um maior número de vacinas no mercado global, pois será essencial uma forte imunização planetária para nos podermos considerar relativamente seguros.

Ao mesmo tempo, vamos pensar que a recente passagem da chefia da nossa “task force” para um militar possa introduzir mecanismos mais eficazes para se recriar a logística que já estava nas mãos do atual coordenador, embora provavelmente com pouca autonomia. Temos que ter o país preparado para uma vacinação em massa que passará por milhares de inoculações por dia para se chegar ao Verão um pouco menos asfixiados e com a possibilidade de passar parte do oxigénio para a nossa economia já muito debilitada. E será essencial retransmitir à população uma comunicação mais assertiva sobre quem deve e não deve ser vacinado, pois a vacina é um bem muito escasso nesta fase e já se viu um pouco de tudo nestas primeiras semanas de vacinação.

Por último, devemos relembrar quem está à frente da vacinação que há ainda milhares de profissionais de saúde que não foram vacinados embora sejam considerados como prioritários de 1.ª fase. Só em médicos deverá haver ainda mais de 3000 clínicos que não foram vacinados nem sabem quando chegará a sua vez e agora imagine-se quantos mais enfermeiros, técnicos de diagnóstico e auxiliares de apoio que precisam urgentemente da vacina. O setor privado, que vai acondicionando os pacientes que deixaram de poder ser atendidos no setor público porque a gestão da saúde passa por não esquecer que as doenças são muito mais que o coronavírus, está a ser fortemente penalizado, preterido ou esquecido neste momento prioritário de vacinação, especialmente as clínicas de pequenas dimensões e consultórios isolados.

Para além disso, os bombeiros e elementos de segurança já deveriam estar também incluídos numa 1.ª fase por uma decisão de puro bom senso.

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