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Integração de cuidados para redução da lista de espera para consulta na ULS Matosinhos

Autores:

Hélder Silva Vieira¹, Adalberto Campos Fernandes¹, Maria Cabral²

Afiliações institucionais:

¹ NOVA National School of Public Health, NOVA University Lisbon, Lisbon, Portugal
 ² Unidade Local de Saúde de Matosinhos, Matosinhos, Portugal

Resumo

Este estudo teve como objetivo analisar a gestão das listas de espera para consulta por meio da análise de entrevistas, seguindo a metodologia de Bardin (2011). Os resultados revelam que a gestão das listas de espera é complexa e fragmentada, devido à falta de integração dos sistemas, processos administrativos manuais e coordenação insuficiente entre cuidados primários e hospitalares. Entre as principais barreiras destacam-se a resistência à mudança, a formação insuficiente, a cultura organizacional fragmentada, limitações técnicas e critérios de referenciação pouco claros. As entrevistadas evidenciaram o potencial das tecnologias de automação, projetos-piloto e monitorização estruturada para aumentar a eficiência. As boas práticas propostas incluem centralização e automatização dos sistemas de marcação, elaboração de manuais de referenciação, gestão rigorosa do absentismo, capacitação profissional e modelo de cuidados centrado no utente. Espera-se que a implementação dessas melhorias reduza tempos de espera, aumente a qualidade dos cuidados, eleve a satisfação dos utentes e promova eficiência operacional com redução de custos. O estudo ressalta a necessidade de estratégias sistémicas, integradas e apoiadas em tecnologia, combinando inovação, integração e valorização humana para otimizar a gestão das listas de espera hospitalares.

Palavras-chave: listas de espera, gestão integrada, automação administrativa, integração dos cuidados, qualidade dos cuidados, satisfação dos utentes.

Enquadramento

A crescente pressão sobre os sistemas de saúde públicos, em particular o Sistema Nacional de Saúde (SNS) em Portugal, tem evidenciado desafios significativos no que respeita à gestão das listas de espera para consultas especializadas. Estas listas constituem um indicador crítico da eficiência do sistema, influenciando diretamente a qualidade, a equidade e a acessibilidade dos cuidados de saúde oferecidos à população. Nas últimas décadas, a persistência e o aumento dos tempos de espera têm refletido limitações estruturais, organizacionais e operacionais que comprometem a resposta adequada às necessidades dos utentes. (ERS, 2024)

A Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), instituída em 1999 como a primeira unidade deste tipo em Portugal, é responsável pela prestação integrada de cuidados a cerca de 318 mil habitantes da região Norte, abrangendo cuidados primários e hospitalares. Apesar da sua capacidade técnica e do desenvolvimento de equipas especializadas, como a Equipa de Suporte a Doentes Crónicos Complexos (ESDCC), que tem demonstrado resultados positivos na gestão de utentes complexos, a ULSM enfrenta desafios significativos relacionados com as listas de espera, especialmente em especialidades como oftalmologia e cirurgia. (ULSM, 2022)

A fragmentação entre os cuidados primários e hospitalares, acompanhada da inexistência de sistemas informatizados eficazes para a comunicação e coordenação entre níveis de cuidados, representa um dos principais obstáculos à redução da lista de espera para consulta (LEC). A falta de integração dificulta o encaminhamento adequado e o acompanhamento contínuo dos doentes, em particular daqueles com multimorbilidade e necessidades crónicas complexas. Além disso, a sobrecarga dos serviços de urgência contribui para a ineficiência do percurso assistencial, desviando pacientes para consultas especializadas que poderiam ser, em muitos casos, geridas a nível primário.

Frente a este cenário, a integração dos cuidados de saúde emerge como uma estratégia crucial para otimizar recursos, melhorar a experiência dos utentes e reduzir os tempos de espera.  

Link para artigo completo em:https://spgsaude.pt/spgsweb/wp-content/uploads/2026/03/Revista41.pdf

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