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Prémio António Arnaut distingue “o valor da inovação” – A sustentabilidade do SNS depende da nossa capacidade de inovação

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Segunda-feira Set 14, 2015

14 Setembro 2015

LISBOA. A atual crise económica e financeira traduziu-se, de forma simultânea e inesperada, no aumento da procura de serviços de saúde e na diminuição de recursos disponíveis, com uma crescente pressão sobre o sistema de saúde. O sistema de saúde entra assim em colisão com as necessidades de saúde das pessoas e a realidade económica. Sem uma abordagem estratégica fundamentalmente diferente, a evolução do sistema de saúde passará necessariamente por cortes adicionais na despesa e racionalização do acesso aos serviços.

O prémio António Arnaut, que será apresentado na Fundação Calouste Gulbenkian no dia 14 de Setembro, analisou o impacto da inovação no desempenho do sistema de saúde. Os resultados mostram que os hospitais mais inovadores têm o dobro do desempenho dos outros hospitais. Por outro lado, o estudo revela ainda que o impacto da inovação em saúde ultrapassa o desempenho dos serviços de saúde para refletir o seu valor público. Aqui, o valor é o que realmente interessa às pessoas, reunindo os interesses comuns de todos os atores do sistema de saúde. Se a inovação traz valor, os cidadãos, os profissionais de saúde, os decisores políticos e as empresas tecnológicas podem beneficiar do seu impacto, assegurando em simultâneo a sustentabilidade do sistema de saúde.

Casimiro Cavaco Dias, economista da saúde da Organização Mundial de Saúde, e autor do livro “O valor da inovação” afirma que o valor, enquanto os resultados de saúde obtidos em relação aos custos associados, deve definir a estrutura de melhoria de desempenho do sistema de saúde. Na verdade, controlar custos sem analisar resultados em saúde é contra produtivo, ao conduzir eventualmente a poupanças a curto prazo, que limitam a sua efetividade e comprometem a sustentabilidade a médio e longo prazo. Os resultados apontam que os investimentos nos cuidados de saúde primários e na prevenção de doença podem reduzir a pressão crescente sobre os serviços de urgência, muito mais dispendiosos.

O estudo identifica uma série de oportunidades para tornar o sistema de saúde mais inovador, com melhor desempenho e mais sustentável. Contudo, a capacidade dos sistemas de saúde em Portugal e na Europa para responder, de forma mais efectiva, às necessidades de saúde pode estar comprometida pela falta de recursos ou de apoio político.

O Prémio António Arnaut destaca assim, a necessidade de alargar o atual debate sobre a sustentabilidade económica, para as suas dimensões políticas e sociais. Ao invés de foco quase exclusivo sobre os aspectos económicos e financeiros, torna-se necessário pensar e discutir o impacto social, com o maior envolvimento dos diferentes sectores da sociedade na criação do futuro do sistema de saúde, assim como construir o consenso político necessário.

O futuro do sistema de saúde passa por revisitar a finalidade fundamental com que foi criado e imaginar novas formas, mais efetivas, para acrescentar valor em saúde. A mudança no foco do sistema de saúde para o seu valor permitirá libertar o enorme potencial de inovação que existe na sociedade portuguesa. Esta sociedade mais inovadora será necessariamente mais saudável, mais resiliente a futuras crises económicas e financeiras e mais capaz de assegurar a sustentabilidade do seu sistema de saúde.

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Sobre o Autor: Casimiro Cavaco Dias é economista da saúde e especialista em sistemas de saúde da Organização Mundial de Saúde.

Sobre o Prémio António Arnaut: O Prémio António Arnaut é instituído pela Edições Almedina e visa distinguir o melhor trabalho escrito sobre investigação em sistemas de saúde.

Para mais informações contacte:

Casimiro Cavaco Dias

Organização Mundial de Saúde

Imperial College London

Telemóvel: 934885028

Email: c.dias12@imperial.ac.uk

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