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Miguel Sousa Neves: “Acredito que a SPGS continua a ter um papel relevante na nossa sociedade”

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Sexta-feira Nov 9, 2018

O nosso jornal falou com o especialista em Oftalmologia e presidente da Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde (SPGS), Miguel Sousa Neves, a propósito da reeleição para o cargo e dos principais objetivos e desafios para o próximo mandato.

JORNAL MÉDICO (JM)| O que significa para si ser reeleito presidente da SPGS?

MIGUEL SOUSA NEVES (MSN)| É mais um desafio numa área que gosto particularmente que é a gestão de Serviços de Saúde. Fui um dos cofundadores da SPGS e, depois de altos e baixos, acredito que a mesma continua a ter um papel relevante a representar na nossa sociedade, tanto mais que foi alargada a todos os que se interessam pela área em causa. Além disso, é única por ser apartidária, sem fins lucrativos e completamente desligada de qualquer grupo ou área de atividade direta ou indiretamente relacionada com a Saúde e por fim edita a Revista Portuguesa de Gestão & Saúde que, também, é a única do género em Portugal.

 

JM| Sabemos que estão a SPGS está a ser alvo de uma revitalização. O que nos pode adiantar sobre isso?

MSM| Estamos mais uma vez a recriar a SPGS com um grupo heterogéneo, mas complementar, equilibrado e com ambições de produzir trabalho útil e inovador em muitas áreas. Estamos a renovar o site e fazer atualizações diárias na página do Facebook, assim como na edição quadrimestral da revista de caráter informativo e científico. Iremos criar parcerias dinâmicas com instituições universitárias e pretendemos, ainda, envolver setores organizados da Saúde dentro e fora do Ministério, com o objetivo de criar sinergias que permitam acrescentar valor aos associados e às próprias organizações. Vamos ter, entre outras atividades, reuniões abertas sobre temas da atualidade; a criação de um mini-MBA que possa acrescentar valor e conhecimento aos profissionais que trabalham na área da Saúde; premiar casos de sucesso no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e atribuição de um prémio de Inovação em Saúde.

 

JM| Atualmente, quais são os desafios da área da Gestão de Saúde em Portugal?

MSN| Penso que o principal desafio é “perceber que Saúde queremos”, isto é, que sistema de saúde queremos para o nosso país, tendo em conta o que existe atualmente, aquilo que está consagrado na Constituição, a nossa realidade financeira e a vontade esclarecida da maioria dos portugueses. Há um grupo de trabalho, coordenado por Maria de Belém Roseira, que está a trabalhar esta área, mas acho que falta chegar ao grande público, às pessoas que utilizam diariamente os serviços de saúde, para que percebam claramente onde estamos e para onde poderemos caminhar na Saúde em Portugal. Para tal, é preciso vontade, capacidade de trabalho organizado e honesto e fazer posteriormente chegar, de forma relevante, os “factos” aos portugueses através da comunicação social.

Além disso, é necessário que a classe política esteja preparada para assumir que a gestão de organizações de saúde como as unidades hospitalares é algo extremamente complexo, com um grau de exigência elevadíssimo, logo só deve ser assumida por pessoas com elevadas capacidades nesta área muito especifica, sensível e potencialmente cara, escolhendo os melhores para cargos de chefia e dotando-os de autonomia e responsabilidade para o pleno desempenho das suas áreas de influência. Acredito, sinceramente, que na maioria dos casos serão os profissionais de saúde com bons conhecimentos de gestão os mais capacitados para assumir essas tarefas de relevância capital que não podem ser entregues arbitrariamente a indivíduos apenas como atos de compensação ou benesse política dentro do sistema partidário.

JM| Quais são as perspetivas para o futuro no que concerne a Gestão em Saúde?

MSN| É importante termos a humildade de olhar para os outros países, que estão melhor do que Portugal nesta área, e captar o que nos interessa, e ao mesmo tempo saber rejeitar aquilo que é potencialmente inútil. Na saúde, apesar de todas as dificuldades do quotidiano num país que representará talvez a 50.ª economia a nível mundial, mas o 9.º lugar na qualidade da Saúde oferecida à comunidade como um todo, há que tentar criar a empatia necessária para que as sinergias da maioria dos intervenientes sejam positivas para que possam todos (ou quase todos) remar para o mesmo lado. Se a tarefa de manter um bom sistema de saúde num país que não é rico já por si é extraordinariamente difícil, a mesma torna-se dantesca quando é minada dentro do próprio sistema e amplificada na comunicação social que publica, muitas vezes, sem investigar nem perceber o “porquê” real do que vai acontecendo.

 

JM| Que trabalho tem sido desenvolvido pela Competência da Ordem dos Médicos de que é presidente?

MSN| Presido à direção da Competência em Gestão de Serviços de Saúde da OM, mas são situações completamente diferentes, uma vez que a Competência é apenas um órgão consultivo do Conselho Nacional da OM, respondendo hierarquicamente aos seus superiores. No entanto, pode e deve desenvolver ações de relevância para os médicos com interesses na gestão de saúde com o apoio possível de universidades, mas sempre em consonância com os objetivos das Secções da OM e do bastonário da OM.

 

JM| Qual é a sua opinião acerca do futuro do SNS?

MSN| O futuro do SNS será, como referi anteriormente, aquilo que as pessoas quiserem. Mas, para isso, é preciso que saibam o que o SNS vale neste momento em termos comparativos com os outros países, quanto custa financeiramente manter um SNS, onde os avanços tecnológicos estão a acontecer a todo o momento e que fronteiras ou parcerias se devem formar entre os vários setores do sistema de Saúde: público, privado e social. Preconizo um SNS forte com uma capacidade de oferta de serviços excelente e dirigida por centros/unidades autónomas, mas responsáveis e responsabilizadas (os CRI a serem criados poderão ser o tal embrião), dado que a Saúde, além de ser um elemento essencial para a comunidade, serve também para alavancar laços  e um sentido significativo de pertença nos portugueses.

O SNS deve estar interligado sempre que necessário com os setores social, mais próximo das populações, e privado, com capacidades interessantes em determinadas áreas específicas num esquema a que os economistas apelidam de “loosely coupled systems“. Para isso, além de um investimento financeiro maior e mais responsabilizado, é essencial perceber e transmitir aos portugueses qual o seu “core business“: a trajetória de vida do cidadão, para que o investimento quase invisível, mas sempre crescente na prevenção da doença, criando hábitos de vida cada vez mais saudáveis, seja bem percebido e “assumido” como uma prioridade por todos nós, para que depois as unidades hospitalares (onde o orçamento é muito pesado) possam ser menos utilizadas, mas apresentando sempre opções de tratamento de elevada eficiência e eficácia, tendo em conta as inúmeras variáveis de cada doente.  Por fim, fazer com que aqueles que trabalham e são a alma do SNS possam sempre “vestir a camisola” com entusiamo.

 

JM| O que pode ser feito para melhorá-lo?

MSN| Em relação a melhorias no sistema de saúde português, para além do que já referi e que começa a ser feito com incentivos à produção real e honesta, a  avaliação correta do desempenho (a gestão em saúde tem necessariamente parâmetros próprios de avaliação pois os pacientes não são apenas números no sistema) e a necessária  reformulação das prioridades no investimento humano e financeiro, contando com as tais parcerias em “loosely coupled systems” com os setores privado e social, é essencial que haja uma ampla maioria dos portugueses que de uma vez por todas diga o que quer para defesa da sua saúde apresentando diversas opções, custos e financiamento.


Garantia de Qualidade e Eficiência em Saúde

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Sexta-feira Set 14, 2018

Objetivo: Compreender a literatura relativamente a garantia e eficiência na prestação de serviços de saúde.

Método: Revisão sistemática da literatura com base em dois descritores validados pela DeCS (quality of healthcare, efficiency organizational) na base de dados SciELO e PubMed resultando em cinco artigos de base ao presente estudo.

Resultados: O uso de sistemas informáticos e protocolos de base aos cuidados de saúde demonstraram uma maior qualidade e eficiência nos mesmos, a prestação de cuidados de saúde por uma equipa multidisciplinar resultaram numa maior qualidade de serviço, apesar do processo ser lento assim como a prestação de cuidados de saúde por profissionais com mais anos de experiência demonstrou maior eficiência.

Conclusões: A qualidade e a eficiência nos cuidados de saúde é alcançada por uma equipa multidisciplinar ou profissionais com maior experiência coadjuvados de sistemas informáticos que apoiam a tomada de decisão clínica.

Por Liane Raquel Pinho dos Santos e Nuno Miguel Faria Araújo

O artigo integral pode ser consulta na edição de setembro da Revista Portuguesa de Gestão de Saúde


Novos Órgãos Sociais da Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde eleitos

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Quarta-feira Ago 22, 2018

Novos Órgãos Sociais da Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde eleitos

Foram aprovados, na Assembleia Geral Extraordinária do passado dia 20 de agosto, os novos Órgãos Sociais da Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde.

A nova lista, eleita por unanimidade, conta assim para a Assembleia Geral com Duarte Nuno Pessoa Vieira (Presidente), João Manuel Bispo Pereira (1º Secretário), Fátima Maria da Conceição Leite Sousa Neves (2º Secretário) e José Manuel de Araújo Cardoso e Filipe Tiago Vilela de Sousa Neves (Suplentes). O Conselho Fiscal é composto por Lino Rosado Canudo (Presidente) e João Francisco Dias Hagatong e Luís Manuel de Areia Loureiro Basto (Vogais).

Na Direção ficam Miguel Filipe Leite Sousa Neves (Presidente), Carlos Jorge Tomás Marques (Vice-presidente), Vera Daniela dos Santos Rodrigues (Secretária Geral), Helena de Fátima Ventura Bugada (Tesoureiro) e Isabel Constança Pereira Jorge Cachapuz Guerra e Víctor Machado Borges (Vogais).

Na sessão foi ainda aprovada a Comissão Nacional, que conta com os seguintes elementos: Maria de Belém Roseira, Luís Filipe Pereira, José Germano de Sousa, Margarida França, Miguel Paiva, António Franklin Ramos, Eurico Castro Alves, Luís Manuel Dias Martins, José Miguel Boquinhas e Luís Almeida Santos.

A Assembleia Geral decorreu em Lisboa, tendo tido como primeiro ponto a aprovação e votação do relatório e contas referente aos últimos anos, que foi aprovado por unanimidade, ao qual se seguiu a eleição dos novos elementos para os Órgãos Sociais.


Novos acordos para Carreiras farmacêuticas

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Quarta-feira Jul 18, 2018

O Ministério da Saúde celebrou ontem, dia 16 de julho de 2018, dois acordos coletivos com os sindicatos representativos dos trabalhadores integrados nas carreiras farmacêuticas, numa reunião que foi presidida pela Secretária de Estado da Saúde, Rosa Valente de Matos. Estes acordos beneficiam um total de 400 pessoas.

Um dos acordos aplica-se aos trabalhadores em funções públicas e contém, entre outros elementos, normas sobre a organização e prestação de trabalho, segurança e saúde no trabalho e de serviços mínimos em caso de greve.

O segundo acordo, aplicável aos trabalhadores com contrato individual de trabalho, equipara os profissionais com este tipo de contrato aos trabalhadores em funções públicas, designadamente no que respeita às matérias acima referidas, assim como através da aplicação do mesmo regime remuneratório, reduzindo também o Período Normal de Trabalho destes trabalhadores de 40 horas semanais para 35 horas.

Os acordos foram assinados com o Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades Com Fins Públicos e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e de Entidades com Fins Públicos.

Leia o artigo completo em: https://www.sns.gov.pt/noticias/2018/07/17/carreiras-farmaceuticas/


Presidente SPGS fala sobre Serviço Nacional de Saúde no maior debate da televisão portuguesa

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Terça-feira Jul 10, 2018

Miguel Sousa Neves, presidente da Direção da Sociedade Portuguesa de Gestão em Saúde participou esta segunda-feira, dia 09 de julho, no programa da RTP Prós e Contras.

O tema de mais uma edição do maior debate televisivo em Portugal foi “Serviço Nacional de Saúde a melhorar ou a piorar” e o médico oftalmologista apresentou alguns números do que tem sido feito no Serviço Nacional de Saúde.

No painel estavam ainda Margarida França, administradora hospitalar, Rui Nunes, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Vanda Veiga, enfermeira especialista em Enfermagem Médico Cirurgia, Manuel Antunes, cirurgião cardiotoráxico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e Sérgio Gomes, enfermeiro da Direção Geral de Saúde.