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Cancro: Doentes queixam-se de “burocracia excessiva”

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Segunda-feira Out 30, 2017

A maioria dos inquiridos para um estudo sobre oncologia considera que são exigidas “demasiadas burocracias” a estes doentes para acederem aos seus direitos e que a luta contra o cancro não é uma prioridade para os políticos em Portugal.

Promovido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), o inquérito “Cuidados de Saúde em Oncologia: a visão dos doentes” foi realizado para “analisar a perceção dos doentes e sobreviventes de doença oncológica sobre os cuidados de saúde em oncologia”, tendo contado com 333 respostas de doentes ou com antecedentes de doença oncológica.

O inquérito visou sinalizar as maiores preocupações em relação à doença e avaliar o impacto da doença no dia-a-dia do doente, entre outros aspetos.

De acordo com as respostas aos inquéritos, 56% sentem que lhes são exigidas demasiadas burocracias para ter acesso aos direitos que lhe estão consagrados por lei.

Ainda na matéria do acesso, 64% disseram que preferem consultar o médico, em caso de dúvidas sobre doença e tratamento, com apenas três por cento a recorrem a associações de doentes, folhetos informativos e linhas de apoio com tal objetivo.

O inquérito revelou que 60% dos doentes oncológicos auscultados tiveram a primeira suspeita que podiam ter cancro após ter sentido alguns sintomas e que oito por cento tiveram a primeira suspeita no seguimento de um rastreio.

Em relação às preocupações com esta doença, a morte surge como a principal apreensão, com 32% a citá-la em primeiro lugar, seguindo-se o impacto físico e, por último, o embate financeiro. No dia-a-dia do doente, os efeitos psicológicos foram o maior impacto da doença, com um aumento dos níveis de ansiedade e humor registado em 68% dos doentes, enquanto 60% elegeu o nível físico, com redução da mobilidade, náuseas e fadiga. Para 59%, esse impacto foi maior no desempenho profissional e na capacidade de trabalho.

Entre os fatores que estes doentes mais valorizam, em primeiro lugar aparece a satisfação com a equipa médica (42%), seguindo-se a eficácia (43%), a segurança (39%) e a inexistência de efeitos secundários (37%) no tratamento. Na consulta, 41% enaltecem a clareza na comunicação e no esclarecimento da informação e 20% atenção.

Para 59% dos inquiridos, falta implementar em Portugal um programa de rastreios organizados de âmbito nacional. Do total de inquiridos, 71% considera que a luta contra o cancro não é uma prioridade para a classe política em Portugal e, para 60%, o governo não faz o investimento necessário para que os doentes tenham acesso às terapêuticas mais avançadas e eficazes.

 

(Falta de) Acesso a tratamentos inovadores gera insatisfação

 

O inquérito “Cuidados de Saúde em Oncologia: a visão dos doentes”, promovido pela SPO, concluiu que os portugueses consideram que têm acesso dificultado aos tratamentos mais avançados, porque o sistema desvaloriza o impacto destes na qualidade de vida do doente.

A maioria dos inquiridos (63%) concorda que “existe a ideia, entre a população portuguesa, que os doentes oncológicos não têm acesso aos tratamentos mais avançados, porque estes são demasiados caros”. Também a maioria dos inquiridos (60%), está de acordo que, em Portugal, “existem demasiadas assimetrias regionais no que diz respeito à prevenção e tratamento do cancro”.

“É através destes inquéritos que se torna possível ter uma perspetiva da realidade dos doentes oncológicos e disponibilizar dados nacionais que nos permitam compreender a forma como os doentes vivem a realidade da doença oncológica em Portugal, integrando a perspetiva do doente nas políticas de saúde em Portugal”, sustenta a presidente da SPO, Gabriela Sousa.

Num inquérito realizado em 2015 a profissionais de saúde ligados à oncologia, as conclusões iam mais longe: 98% admitiam que a comunidade científica em Portugal não tem as mesmas condições financeiras para a investigação comparativamente com outros países da União Europeia; 90% afirmavam que o Governo português não faz o investimento necessário para que os doentes tenham acesso às terapêuticas mais avançadas e eficazes. Ideias que também são partilhadas por cerca de 60% dos doentes oncológicos.

Os dados deste inquérito serão apresentados e debatidos no Congresso Nacional de Oncologia, a 27 de outubro, numa sessão sobre Inovação e Sustentabilidade do SNS. Este debate contará com a participação do diretor-executivo da APIFARMA, Heitor Costa, da presidente da Administração Central do Sistema de Saúde, Marta Temido, do vice-presidente do Infarmed, Rui Ivo, do presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, do presidente do Conselho de Administração do IPO do Porto, Laranja Pontes, e da representante da Federação de Associações de Doentes Oncológicos, Tamara Milagre.

Fonte: Jornal Médico

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