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Utentes carenciados fogem do Sistema Nacional de Saúde

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Quinta-feira Jan 26, 2012

Doentes com dificuldades financeiras estão a deixar de ir aos serviços de saúde por recearem ter de pagar taxas moderadoras e outros adiam as consultas para o dia em que recebem as pensões, alertam instituições.

O presidente da Caritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, admitiu em declarações à agência Lusa estar “muito preocupado” com os relatos que têm chegado à instituição sobre pessoas que se recusam a recorrer ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) por temerem já não estar isentos do pagamento das taxas moderadoras.

“Está dito que há isenções para as pessoas que não podem pagar mas isso não foi bem explicado. Devia haver uma informação concisa para que as pessoas, cuja iliteracia é muito grande, possam saber como fazer para aceder a essas possibilidade de redução e não pagamento das taxas “, criticou Eugénio Fonseca.

Na dúvida, muitas famílias preferem não correr o risco de serem surpreendidas com uma conta no final da consulta. Para alguns, diz Eugénio Fonseca, as opções de escolha são muito reduzidas: “Das duas uma: ou vão e pagam ou não vão”.

O resultado é que muitos utentes “só” recorrem aos serviços de saúde “se for num caso de urgência, se forem apanhados na rua num acidente. Fora isso, não vão”, alertou.

Além destes casos, o presidente da Caritas refere ainda as histórias de quem agora adia as consultas para depois de receber as pensões.

“Nós temos indicações de pessoas que já evitam procurar um médico. Aqui há dias, dizia-me uma médica de um hospital que as pessoas telefonam para lá a pedir para ser adiada a consulta para data posterior ao dia em que recebem a reforma”, lamentou Eugénio Fonseca.

A situação também já foi notada pela associação Médicos do Mundo (MdM).

“Há notícias diárias sobre os aumentos das taxas moderadoras e as pessoas só pensam que vão aumentar e por isso nem vão às estruturas”, contou a coordenadora nacional dos projetos dos MdM, Carla Fernandes.

“Preocupados” com “as reações preocupantes que estão a chegar à instituição”, a Caritas criou um grupo de trabalho que está a estudar o processo, tendo já planeado questionar o Governo e apresentar algumas propostas.

A Lusa contactou o gabinete de imprensa do Ministério da Saúde que disse não ter informações no sentido de uma redução de utentes nos SNS mas sim “muito pelo contrário, indicações de que o número de consultas e de atendimentos subiu”.

Fonte: Diário de Notícias, 26 de Janeiro de 2012


Hospitais estão há mais de um ano sem cobrar multas

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Quinta-feira Jan 26, 2012

Um ano depois da criação de multas para quem não pague taxas moderadoras, os principais hospitais de Lisboa ainda não cobraram nenhuma, uma dificuldade que o ex-secretário de Estado justifica com os custos da cobrança, superiores aos valores a arrecadar

Com a anterior alteração dos valores das taxas moderadoras, publicada em Diário da República no final de dezembro de 2010, foi anunciada a obrigatoriedade de cobrança de coimas a quem não pagasse as referidas taxas.

A medida constava do Orçamento do Estado para 2011 e definia que quem não pagasse as taxas moderadoras nos hospitais ou nos centros de saúde poderia ter de pagar uma coima no valor mínimo de 100 euros.

Esta medida, da então ministra Ana Jorge, vigora desde janeiro de 2011, mas pelo menos os principais hospitais de Lisboa não a aplicaram. A Lusa contactou o Hospital Amadora-Sintra, no Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) — que congrega Santa Maria e Pulido Valente –, e o Centro Hospitalar de Lisboa Central — que junta o Hospital de São José, de Santa Marta, Estefânia e Capuchos -, que não cobraram qualquer coima.

Questionado pela Lusa, o porta-voz o CHLN afirmou não ter sido cobrada qualquer multa no decorrer deste ano por aqueles hospitais.

No Hospital Fernando Fonseca, fonte oficial admitiu igualmente não ter sido cobrada qualquer coima, o que justificou com a falta de adaptação do sistema informático, após a passagem do anterior modelo de gestão privada.

A explicação apontada pelo CHLC foi a falta de regulamentação da medida. Fonte oficial daquele centro hospitalar afirmou que “está a aguardar que a matéria seja devidamente regulamentada”, escusando-se a dar mais explicações sobre o assunto e a especificar a que regulamentação se refere.

Manuel Pizarro, anterior secretário de Estado da Saúde, disse à Lusa que a medida não carece de qualquer regulamentação e que os hospitais têm autonomia para aplicar as coimas.

Segundo o atual deputado do PS, o que estava previsto na altura em que foi anunciada a cobrança de coimas era criar um sistema que interligasse os vários serviços de saúde e definir a forma de pagamento das multas, o que acabou por nunca acontecer, em consequência da queda do Governo.

No entanto, sublinha que, a partir do momento em que foi anunciada a obrigatoriedade de cobrar coimas, os hospitais passaram a ter liberdade e autonomia para o fazer dentro dos meios próprios de que dispõem.

Na opinião de Manuel Pizarro, isso nunca aconteceu, porque os custos das diligências necessárias para a cobrança de coimas acabam por ser superiores ao valor previsto cobrar.

Já em julho de 2001, o então presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Pedro Lopes, afirmou que a maior parte dos hospitais não estava a aplicar as multas.

Fonte: Diário de Notícias, 26 de Janeiro de 2012


170 mil alegaram pobreza para não pagar saúde

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Quinta-feira Jan 26, 2012

Pedidos deram entrada este ano e esperam resposta. Ministério estima ter 5,2 milhões de isentos por razões económicas, mais 800 mil do que com as anteriores regras.

Até dia 23 entraram mais de 93 mil requerimentos por insuficiência económica, mas foram validados 33 mil pedidos de grávidas, dadores, crianças e utentes com incapacidade de 60%.

Fonte: Diário de Notícias, 26 de Janeiro de 2012


Fraude e corrupção na Saúde chega aos 500 milhões de euros

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Quinta-feira Jan 26, 2012

A PJ vai incrementar as investigações preventivas aos casos de fraude e corrupção à volta de médicos e técnicos do Serviço Nacional de Saúde. Em Portugal, a fraude no sector pode valer quase 500 milhões de euros, de acordo com estimativas do ministro da tutela.

Paulo Macedo mostrou-se ainda satisfeito com a prioridade que os processos de inquérito aos casos suspeitos de fraude contra o SNS estão a ter e que é “idêntica à de crimes com presos preventivos”, e disse ter conhecimento de “várias investigações” que estão a decorrer no Ministério Público ou, ainda, no âmbito da Polícia Judiciária.

Fonte: Jornal de Notícias, 26 de Janeiro de 2012


Medicamentos: Sistema de comparticipação vai ser revisto até final da legislatura

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Quinta-feira Jan 26, 2012

Lisboa, 26 jan (Lusa) – O secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde anunciou hoje que o sistema de comparticipações de medicamentos vai ser revisto até ao final da legislatura com vista a torná-lo “muito mais justo do que o atual”.

“Temos de rever toda a lógica e todo o sistema de comparticipação porque, acima de tudo, temos que ter um Serviço Nacional de Saúde (SNS) que seja justo”, disse Fernando Leal da Costa à margem da VIII conferência da indústria farmacêutica “Inovação e longevidade: Os desafios colocados aos sistemas de saúde”, que está a decorrer em Lisboa.

Tem vindo a ser reconhecido, que “o atual sistema de comparticipação de medicamentos tem algumas injustiças que interessa corrigir. Foi isso que fizemos com as taxas moderadoras”, sustentou.

Fonte: Jornal de Notícias, 26 de Janeiro de 2012