Siga-nos no Facebook

Total de Visitas: 279978

Cuidados de saúde com base em valor: Que desafios?

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Sexta-feira Nov 16, 2018

O Portugal Value Meeting For Health and Care 2018 surge no seguimento da Conferência ICHOM Portugal [International Consortium for Health Outcomes Measurement], uma iniciativa conjunta da Nova School of Business and Economics, da Nova Medical School e do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, que decorreu em fevereiro de 2017.

Na altura, conforme explica o responsável pela organização do evento e chair da NOVAsaúde | Value Improvement in Health and Care, João Marques Gomes, os stakeholders da Saúde reuniram-se com um objetivo: discutir a importância dos cuidados de saúde baseados em valor.

O ICHOM resulta de uma parceria entre a Harvard Business School, o Karolinska Institutet e o The Boston Consulting Group, tendo sido fundado com o objetivo de “transformar os sistemas de saúde em todo o mundo, através da medição e disseminação dos resultados dos utentes/doentes de uma forma padronizada”.

De acordo com João Marques Gomes, medir os cuidados de saúde com base no valor que estes produzem para o doente é útil para todos os agentes do sistema de saúde, uma vez que esta informação permite que todos passem a fazer escolhas mais informadas, algo que não acontece atualmente. Desta forma, os profissionais de saúde passam a saber quais são as práticas clínicas que produzem os melhores resultados e os gestores das organizações de saúde têm oportunidade de montar sistemas que premeiem o bom desempenho das várias unidades de saúde, na medida em que conseguem identificar e definir esse bom desempenho.

Ou seja, ao invés de se basearem somente em dados quantitativos, os agentes de saúde passam a poder basear-se em dados qualitativos, sabendo o verdadeiro impacto que determinado tratamento ou cirurgia tem de facto na qualidade de vida dos doentes.

Atualmente, não basta conhecer os números, importa antes avaliar o valor que cada intervenção médica tem na vida dos doentes e perceber o que pode ser feito para melhorá-la, defende o vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, José Fragata.

“Até agora, os cuidados de saúde têm sido avaliados, financiados e geridos numa perspetiva de volume, ou seja, de número de casos. Facilmente ouvimos um político dizer: realizaram-se 400 mil cirurgias no hospital y ou 300 consultas na unidade de saúde x. No entanto, esta é uma forma grosseira de avaliar a prestação de cuidados de saúde, sendo que o mais importante é perceber com que qualidade foram prestados e quanto pagaram os utentes por eles”, exemplificou.

Notícia completa em: http://jornalmedico.pt/atualidade/36613-cuidados-de-saude-com-base-em-valor-que-desafios.html


Miguel Sousa Neves: “Acredito que a SPGS continua a ter um papel relevante na nossa sociedade”

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Sexta-feira Nov 9, 2018

O nosso jornal falou com o especialista em Oftalmologia e presidente da Sociedade Portuguesa de Gestão de Saúde (SPGS), Miguel Sousa Neves, a propósito da reeleição para o cargo e dos principais objetivos e desafios para o próximo mandato.

JORNAL MÉDICO (JM)| O que significa para si ser reeleito presidente da SPGS?

MIGUEL SOUSA NEVES (MSN)| É mais um desafio numa área que gosto particularmente que é a gestão de Serviços de Saúde. Fui um dos cofundadores da SPGS e, depois de altos e baixos, acredito que a mesma continua a ter um papel relevante a representar na nossa sociedade, tanto mais que foi alargada a todos os que se interessam pela área em causa. Além disso, é única por ser apartidária, sem fins lucrativos e completamente desligada de qualquer grupo ou área de atividade direta ou indiretamente relacionada com a Saúde e por fim edita a Revista Portuguesa de Gestão & Saúde que, também, é a única do género em Portugal.

 

JM| Sabemos que estão a SPGS está a ser alvo de uma revitalização. O que nos pode adiantar sobre isso?

MSM| Estamos mais uma vez a recriar a SPGS com um grupo heterogéneo, mas complementar, equilibrado e com ambições de produzir trabalho útil e inovador em muitas áreas. Estamos a renovar o site e fazer atualizações diárias na página do Facebook, assim como na edição quadrimestral da revista de caráter informativo e científico. Iremos criar parcerias dinâmicas com instituições universitárias e pretendemos, ainda, envolver setores organizados da Saúde dentro e fora do Ministério, com o objetivo de criar sinergias que permitam acrescentar valor aos associados e às próprias organizações. Vamos ter, entre outras atividades, reuniões abertas sobre temas da atualidade; a criação de um mini-MBA que possa acrescentar valor e conhecimento aos profissionais que trabalham na área da Saúde; premiar casos de sucesso no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e atribuição de um prémio de Inovação em Saúde.

 

JM| Atualmente, quais são os desafios da área da Gestão de Saúde em Portugal?

MSN| Penso que o principal desafio é “perceber que Saúde queremos”, isto é, que sistema de saúde queremos para o nosso país, tendo em conta o que existe atualmente, aquilo que está consagrado na Constituição, a nossa realidade financeira e a vontade esclarecida da maioria dos portugueses. Há um grupo de trabalho, coordenado por Maria de Belém Roseira, que está a trabalhar esta área, mas acho que falta chegar ao grande público, às pessoas que utilizam diariamente os serviços de saúde, para que percebam claramente onde estamos e para onde poderemos caminhar na Saúde em Portugal. Para tal, é preciso vontade, capacidade de trabalho organizado e honesto e fazer posteriormente chegar, de forma relevante, os “factos” aos portugueses através da comunicação social.

Além disso, é necessário que a classe política esteja preparada para assumir que a gestão de organizações de saúde como as unidades hospitalares é algo extremamente complexo, com um grau de exigência elevadíssimo, logo só deve ser assumida por pessoas com elevadas capacidades nesta área muito especifica, sensível e potencialmente cara, escolhendo os melhores para cargos de chefia e dotando-os de autonomia e responsabilidade para o pleno desempenho das suas áreas de influência. Acredito, sinceramente, que na maioria dos casos serão os profissionais de saúde com bons conhecimentos de gestão os mais capacitados para assumir essas tarefas de relevância capital que não podem ser entregues arbitrariamente a indivíduos apenas como atos de compensação ou benesse política dentro do sistema partidário.

JM| Quais são as perspetivas para o futuro no que concerne a Gestão em Saúde?

MSN| É importante termos a humildade de olhar para os outros países, que estão melhor do que Portugal nesta área, e captar o que nos interessa, e ao mesmo tempo saber rejeitar aquilo que é potencialmente inútil. Na saúde, apesar de todas as dificuldades do quotidiano num país que representará talvez a 50.ª economia a nível mundial, mas o 9.º lugar na qualidade da Saúde oferecida à comunidade como um todo, há que tentar criar a empatia necessária para que as sinergias da maioria dos intervenientes sejam positivas para que possam todos (ou quase todos) remar para o mesmo lado. Se a tarefa de manter um bom sistema de saúde num país que não é rico já por si é extraordinariamente difícil, a mesma torna-se dantesca quando é minada dentro do próprio sistema e amplificada na comunicação social que publica, muitas vezes, sem investigar nem perceber o “porquê” real do que vai acontecendo.

 

JM| Que trabalho tem sido desenvolvido pela Competência da Ordem dos Médicos de que é presidente?

MSN| Presido à direção da Competência em Gestão de Serviços de Saúde da OM, mas são situações completamente diferentes, uma vez que a Competência é apenas um órgão consultivo do Conselho Nacional da OM, respondendo hierarquicamente aos seus superiores. No entanto, pode e deve desenvolver ações de relevância para os médicos com interesses na gestão de saúde com o apoio possível de universidades, mas sempre em consonância com os objetivos das Secções da OM e do bastonário da OM.

 

JM| Qual é a sua opinião acerca do futuro do SNS?

MSN| O futuro do SNS será, como referi anteriormente, aquilo que as pessoas quiserem. Mas, para isso, é preciso que saibam o que o SNS vale neste momento em termos comparativos com os outros países, quanto custa financeiramente manter um SNS, onde os avanços tecnológicos estão a acontecer a todo o momento e que fronteiras ou parcerias se devem formar entre os vários setores do sistema de Saúde: público, privado e social. Preconizo um SNS forte com uma capacidade de oferta de serviços excelente e dirigida por centros/unidades autónomas, mas responsáveis e responsabilizadas (os CRI a serem criados poderão ser o tal embrião), dado que a Saúde, além de ser um elemento essencial para a comunidade, serve também para alavancar laços  e um sentido significativo de pertença nos portugueses.

O SNS deve estar interligado sempre que necessário com os setores social, mais próximo das populações, e privado, com capacidades interessantes em determinadas áreas específicas num esquema a que os economistas apelidam de “loosely coupled systems“. Para isso, além de um investimento financeiro maior e mais responsabilizado, é essencial perceber e transmitir aos portugueses qual o seu “core business“: a trajetória de vida do cidadão, para que o investimento quase invisível, mas sempre crescente na prevenção da doença, criando hábitos de vida cada vez mais saudáveis, seja bem percebido e “assumido” como uma prioridade por todos nós, para que depois as unidades hospitalares (onde o orçamento é muito pesado) possam ser menos utilizadas, mas apresentando sempre opções de tratamento de elevada eficiência e eficácia, tendo em conta as inúmeras variáveis de cada doente.  Por fim, fazer com que aqueles que trabalham e são a alma do SNS possam sempre “vestir a camisola” com entusiamo.

 

JM| O que pode ser feito para melhorá-lo?

MSN| Em relação a melhorias no sistema de saúde português, para além do que já referi e que começa a ser feito com incentivos à produção real e honesta, a  avaliação correta do desempenho (a gestão em saúde tem necessariamente parâmetros próprios de avaliação pois os pacientes não são apenas números no sistema) e a necessária  reformulação das prioridades no investimento humano e financeiro, contando com as tais parcerias em “loosely coupled systems” com os setores privado e social, é essencial que haja uma ampla maioria dos portugueses que de uma vez por todas diga o que quer para defesa da sua saúde apresentando diversas opções, custos e financiamento.


Conferência “Inovação em Laboratório Clínico”

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Quinta-feira Nov 8, 2018

Este sábado, dia 10 de novembro, pelas 10h, vai ter lugar a Conferência “Inovação em Laboratório Clínico”, no Auditório da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (Piso -1).

A Conferência será proferida por Carlos Ballarati, médico Patologista Clínico, Ex-Presidente da Sociedade de Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, reconhecido pela sua aposta na inovação laboratorial através do seu empreendedorismo no suporte à formação e ao diagnóstico diferenciado.
As inscrições, gratuitas, podem ser feitas em: https://goo.gl/forms/sLBvKMEi67SQgZzB2

 


APORMED: Hospitais deviam 288,5 ME às empresas de dispositivos médicos em agosto

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Terça-feira Out 23, 2018

Os hospitais públicos deviam, em agosto, 288,5 milhões de euros (ME) às empresas de dispositivos médicos e demoravam em média quase um ano a pagar, revela a Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED).

Em declarações à Comunicação Social, o presidente da APORMED, João Gonçalves, disse que “o problema dos atrasos no pagamento dos hospitais públicos às empresas fornecedoras, nomeadamente de dispositivos médicos, é um problema recorrente”.

“Contudo, o que temos vindo a verificar neste segundo semestre é que a dívida hospitalar tem vindo a aumentar, essencialmente, porque há uma expectativa de uma verba especial de 500 ME que era para ter ocorrido já antes das férias de verão e não ocorreu”, não havendo notícia de quando essa verba será desbloqueada, explica João Gonçalves.

De acordo com os dados mais recentes, que dizem respeito ao passado mês de agosto, a dívida total situava-se nos 288,5 ME e a dívida vencida a mais de 90 dias rondava os 182,2 ME.

Quanto aos prazos médios de recebimentos, o responsável indica que já ultrapassaram os 330 dias (334 dias) nos últimos meses, uma situação que a APORMED considera “inaceitável e francamente penalizadora” para as empresas.

Notícia completa em: http://www.jornalmedico.pt/atualidade/36484-apormed-hospitais-deviam-288-5-me-as-empresas-de-dispositivos-medicos.html


Ordem dos Médicos distingue José Guimarães dos Santos

Publicado por Dr Miguel Sousa Neves em Terça-feira Out 23, 2018

A Ordem dos Médicos (OM) distingue já amanhã, dia 20 de outubro, o médico José Guimarães dos Santos com o Prémio de Mérito da Competência em Gestão dos Serviços de Saúde.

“A direção da Competência em Gestão dos Serviços de Saúde tem procurado, ao longo dos anos, distinguir os médicos que têm dado um importante contributo, a vários níveis, para a defesa e evolução da profissão”, sublinhou Miguel Guimarães.

Este prémio resulta de uma iniciativa da Direção da Competência em Gestão dos Serviços de Saúde da OM, responsável pela área formativa e reconhecimento profissional neste domínio. A atribuição pretende “assinalar o contributo de um médico que se tenha distinguido, ao longo do seu percurso profissional, em matérias como a gestão de serviços, a liderança de equipas ou a administração hospitalar”.

José Guimarães dos Santos foi presidente do Conselho Regional do Norte da OM durante três mandatos. “É um nome incontornável da cirurgia oncológica e da implementação do Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil”, frisou o bastonário.

Recorde-se, ainda, que o galardoado foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Oncologia, da qual foi presidente, tendo sido presidente de todas as sociedades nacionais ligadas a essa especialista. Foi um dos principais impulsionadores dos grupos de estudo do Cancro da Mama, do Cancro Ginecológico, do Cancro Digestivo e presidente da European Surgical Society of Oncology e um dos membros fundadores da Federação Mundial das Sociedades de Oncologia Cirúrgica.

Notícia completa em: http://www.jornalmedico.pt/atualidade/36466-ordem-dos-medicos-distingue-jose-guimaraes-dos-santos.html?fbclid=IwAR3w68Byu2EdEmJuGvVKliIzC4UYatR-_xmQTt1hBN7CF9fQO5iLd9KX9Ks